Geração TIKGRAM

Que tempos difíceis e estranhos! À geração atual chama-se Z, que coexistem com os Millenials (meu caso) e os Baby Boomers (mais velhos), uma possível transição também se chamaria Zennials. Eu vou chamar hoje aqui, ao meu próprio modo de geração TIKGRAM, TikTok-Instagram e vice-versa, as mais fortes social medias do momento. Se vc dançar um centímetro fora do compasso atual, já é um “cringe”. Essa vergonha alheia que venho sentindo de fazer parte dessa sociedade de 2021. O mundo conseguiu ficar ainda mais chato e moderno… Atado por invisíveis teias e milhões de cabos. A geração TIKGRAM está cada dia mais intolerante, militante, irritante e ignorante. São as presas perfeitas do Sistema que eles passaram a defender, mas tal Sistema é o mesmo velho opressor de sempre. Com roupas e discursos novos.

Friso que essa análise não vale para todos os jovens e adultos atuais, por isso, vou considerar a maioria, e não obviamente a totalidade. Vejo inclusive com alegria o crescente número de consciências compassivas e despertas fazendo a diferença no mundo, no entanto, esse alerta vai para os que de alguma forma foram subjugados à esse Sistema neo-escravagista da atualidade, que é uma armadilha para as mentes não-treinadas. Espero que vocês entendam as diferenças ;)

Tem-se falado muito por aí sobre o “emburrecimento” da nova geração, sempre plugada, se desgarrando do mundo “real” pelo universo da rede. As críticas a esses jovens online costumam começar com uma condenação a um estilo de vida — a distração, a incapacidade de se aprofundar em um assunto, o bovarismo — e logo sobem alguns graus para afirmar que a insistência em tal comportamento acarretará em graves danos cerebrais, gerando um indivíduo que, de tanto se “socializar” nas redes será inútil à sociedade. Seria o que chamam de “demência digital”, o mal do século.

Sobre causar danos cerebrais, estão certos. Ou quase isso. É provável sim que os nativos digitais já tenham uma nova configuração neural, mais apta a conviver com fontes múltiplas e simultâneas de informação e estímulo. O fenômeno chama-se neuroplasticidade, e sem ele, nada aprenderíamos. O cérebro de um spalla de orquestra, por exemplo, é exatamente igual ao de um contador, mas cada um deles foi tecendo seus neurônios, à medida que aprendia e vivenciava seu ofício, no circuito que mais lhes habilitasse para executar um pizzicato ou amortizar o diferido, respectivamente.

BBC News Brasil publicou uma matéria explicando um novo fenômeno em que e a geração atual está demonstrando um QI (Quociente de inteligência) mais baixo do que a anterior. Conhecidos como “nativos digitais”, esses são os primeiros filhos com QI inferior aos pais e estão sendo registrados em diversos países ao redor do mundo, incluindo Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França, etc. De acordo o neurocientista francês Michel Desmurget, o QI diminui proporcionalmente ao uso da TV e videogame

Você já sofreu ou sofre na tentativa de se relacionar com uma pessoa de visão muito limitante? Ninguém é melhor que ninguém não; não é isso. Apenas existem chaves que não encaixam em certas fechaduras… Minha crítica pessoal, vem em forma de desabafo, por fim tomei a decisão de parar de me importar com gente sem tempo, sem disponibilidade, sem empatia, sem vontade, sem iniciativa e principalmente sem amor. Doarei meu precioso tempo a quem fizer por merecer, e assim permito que a paz possa voltar a reinar em meu coração. Estou literalmente cansado de pessoas vazias presencialmente e cheias de conteúdo virtualmente… Pois na frente da câmera do celular que te disponibiliza milhares de filtros, todos viram blogueiros de sucesso, tentando vender sorrisos e rolês incríveis… Mas é claro que o Instagram, nem os outros apps mostram suas linhas de expressão, nem seus dentes menos brancos ou a iluminação menos vibrante, tão pouco vão mostrar o dia que vc come miojo, que atrasa a conta, que tem insônia ou que sofre veladamente de depressão. Porque a função dos “apps filtrantes” é mostrar o lado doce, ilusório. Uma vida perfeitamente falsa…

Continuando a refletir a que ponto chegamos, é impressionante também a quantidade de pessoas, garotos em especial, que vejo distribuindo os famosos “biscoitos” diários nos TIKGRAMs da Internet… São aquelas fotos com apelo sensual-sensorial que despertam paixões ou interesses materiais nos usuários… As famosas reações com foguinho, coraçõezinhos, likes, likes, likes… Tudo em busca de aprovações. Será que não flopei? Fui bem? Curtiu? Comenta lá… Sério, os jovens em especial estão escravos dessas ferramentas. No documentário O Dilema das Redes, vocês já viram esse assunto. Não é novidade que somos manipulados por programadores e algoritmos cada vez mais avançados e espertos em nos conhecer, até mesmo mais que muitos conhecem a si mesmos.

Frase usada no filme O Dilema das Redes (Netflix)

As redes sociais são apenas uma forma de potencializar e deixar muito claros os principais traços de personalidade individual e coletiva. Tanto é que é comum a proliferação de textos com os “perfis que mais irritam” nessa ou naquela rede social e, certamente, todos nós temos exemplares de cada um deles em nossa lista de amigos. Nada mais normal. Mas alguns desses fatores são bastante representativos do que temos de pior enquanto sociedade: intolerância, excesso de vaidade e de auto-promoção e desrespeito à opinião do próximo.

Chegamos no cúmulo da imbecilidade, ou ainda dá pra piorar?

Uma das mais eficientes estratégias de manipulação catalogadas por Noam Chomski é estimular o público a ser complacente na mediocridade. Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto. A popularidade das dancinhas sem sentido, dos jingles infantilizados, das caras e bocas, dos comentários odiosos, do ataque gratuito ao Governo e o hábito de comentar todas as notícias como se fosse um comentarista especializado de um telejornal, achando que sua opinião é influente, ou pior, acreditar ser o digital influencer em pessoa.

Outra questão recorrente, lamentável e feia da sociedade atual: Irresponsabilidade afetiva. Provocações que geram envolvimentos, promessas, compromissos, até juras, que ao menor palito que cai no chão, são rompidos instantaneamente, pois a intolerância, a impaciência, e a incapacidade de empatia (se por no lugar do outro) são a principal característica dessa geração TIKGRAM mimada, que se aborrece diante da menor contrariedade aos seus “ideais”. São os filhos de filhos que foram criados mimados, que nasceram com tablets e celulares nas mãos, que pegam os celulares do pais sem consentimento pra jogar e ver vídeos, que fazem birra e protestam se não tem seus desejos do ego prontamente atendidos. “Os pepinos que não foram torcidos quando pequenos”, as crianças com síndrome do Imperador, que hoje são adolescentes intolerantes, críticos, preguiçosos e com hábito da reclamação gratuita.

Exagerado? Ofensivo? Estou revoltado? Não… Basta ver os consultórios terapêuticos cheios de crianças, jovens, adultos, pais que não sabem mais o que fazer, diante das depressões, tentativas de suicídio, síndrome do pânico, ansiedade e transtornos diversos. Sei bem, pois sou terapeuta integrativo, além de fisioterapeuta, e meus colegas psicólogos sabem bem do que estou a falar.

Excesso de liberdade vira prisão. Falta de limites na infância e adolescência gera escravidão e procrastinação na vida adulta.

LIMITE é o caminho das pessoas livres que as levarão até o governo de suas vidas. O limite é importante e a falta dele é perigosa, liberdade demais se torna perigosa. Quem só faz o que gosta hoje, vai acabar fazendo só o que não gosta amanhã, pois quem não se dá o limite hoje será o escravo de amanhã.

Aprendemos que é na dor que se muda. Mas uma geração que gosta de viver anestesiada, como pode crescer?

Não é para parecer demasiado moralista. Mas vc sabe o que é moral? Será que não é justamente isto que está faltando na consciência coletiva da sociedade atual? Na filosofia, a moral é a parte que trata dos valores em si e o sentimento e ações do indivíduo, orientados por esses valores. São as decisões que o ser humano, no exercício de sua liberdade, toma sobre o que deve fazer ou não para manter o bem-estar social. Vemos por fim, uma ascensão da vulgaridade, da mediocridade, da infantilidade, do baixo intelecto, da corrupção, infidelidade, sexualização e objetificação da mulher, do homem e até da criança. Está no rumo certo isso tudo?

Por que será que não existem casamentos duradouros como os de antigamente? Meus pais por exemplo, são bem casados há 40 anos, nunca vi pratos voando na minha casa, nem xingamentos, escândalos, etc. Toda resiliência que tenho, aprendi com eles! Na época deles tinham os TIKGRAMs? Smartphones 1001 utilidades? Tinder? Era a época da conquista lenta, da permissão progressiva, de avançar um limite por vez, era a época do respeito. As pessoas sonhavam em construir uma história juntas e lutavam juntas. Não desistiam nas intempéries, não trocavam parceiros como quem troca de roupa. “A oferta” não era ostensiva, o merchandising pessoal não era tão apelativo e também não existiam os “cardápios virtuais humanos”.

Solidão. Temos milhares de seguidores, leitores, fãs, mas e aquele abraço apertado que só um amigo de verdade pode te dar, onde fica? E você, troca likes por amigos reais? Você larga o celular para confraternizar, jantar, assistir um espetáculo? Você consegue ser diferente dos padrões sociais? Você quer o novo normal ou ser um novo Homem?

Essa foi minha reflexão no dia de hoje amiguinhos. Sayonara.

Rodrigo Kladwan

Um comentário em “Geração TIKGRAM

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  1. Rodrigo,a tua reflexão neste texto mostra a verdadeira idiotização desta nova geração escravizada,pelas diversas redes sociais,que ensina a materialização do universo que a cerca e obscurece a humanização,a empatia,o amor, honestidade e a comtemplação das coisas simples e belas da natureza e,o mais preocupante a limitação de conhecimentos universais e a preguiça.Excelente a tua explanação.

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