Mudanças magnéticas e suas consequências – Parte 2

Polo Norte magnético troca de lugar e deixa bússolas e animais desorientados

Continuando o post anterior, gostaríamos de complementar as informações com esta notícia do Jornal O Globo. Rodrigo Kladwan

 

auroraboreal_alaska_01032011Parece improvável, mas é verdade: o Polo Norte magnético está se movendo mais depressa do que em qualquer outra época da história da Humanidade, ameaçando mudar de meios de transporte a rotas tradicionais de migração de animais. Cientistas dizem que o norte magnético, que por dois séculos tem estado na vastidão gelada do norte do Canadá, desloca-se para a Rússia à velocidade de 60 quilômetros por ano.

O ritmo de deslocamento aumentou em cerca de 30% em dez anos, suscitando a especulação de que o campo magnético do planeta estaria se dobrando, o que faria as bússolas se inverterem e apontarem para o sul em vez do norte, algo que acontece de três a sete vezes a cada milhão de anos.

O fenômeno já causa problemas na aviação. O Aeroporto Internacional de Tampa, na Flórida, passou um mês trocando o nome de suas três pistas que, como acontece comumente nos Estados Unidos, são identificadas por números que correspondem à direção em graus que têm na bússola.

– Tudo teve que ser mudado, é um grande projeto – disse a porta-voz do aeroporto, Brenda Geoghagan.

O ritmo atual de distanciamento do norte magnético da Ilha de Ellesmere, no Canadá, está fazendo as bússolas errarem em cerca de um grau a cada cinco anos. Isso faz a Administração Federal de Aviação dos EUA reavaliar os nomes das pistas dos aeroportos a cada cinco anos. Mudanças como a de Tampa foram realizadas recentemente nos aeroportos de Fort Lauderdale e Palm Beach.

Geólogos acreditam que o Polo Norte magnético (que é diferente do Polo Norte geográfico, o eixo no qual a Terra gira) desloca-se em função de mudanças no núcleo da Terra, supostamente composto de ferro líquido. O polo magnético foi localizado pela primeira vez em 1831 e tem sido monitorado desde então.

Registros indicam que a localização do polo pouco mudou nas primeiras décadas após sua descoberta. Mas, por volta de 1904, ele começou a ganhar mais velocidade rumo ao nordeste, movendo-se cerca de 15 quilômetros por ano. Esse ritmo acelerou significativamente a partir de 1989, possivelmente devido a uma espécie de "onda" magnética nas profundezas do planeta. O polo agora parece seguir para a Sibéria, movendo-se aproximadamente 60 quilômetros por ano.

– O campo magnético da Terra nunca foi fixo, mas agora parece mudar mais depressa – afirmou o geofísico Jeffrey Love, da US Geological Survey.

O sistema de GPS, baseado em satélites, tem substituído as bússolas na orientação de sistemas de transportes profissionais. Mas as bússolas ainda são muito úteis e essenciais para exploradores e trekkers, dentre outros. E em alguns ambientes, como o fundo do mar e o subsolo, onde o sinal dos satélites não chega, elas são a única opção. A indústria do petróleo, que usa magnetos para determinar o ângulo correto para posicionar suas perfuratrizes, precisa saber como precisão onde está o norte magnético.

Aves que voam para o sul a cada inverno do Hemisfério Norte, assim como uma vasta quantidade de criaturas marinhas migratórias, podem ficar desorientadas. Além disso, animais de grande longevidade, como as baleias e tartarugas, poderão precisar recalibrar seus instintos de navegação.

Os habitantes da América do Norte terão que suportar o custo e a inconveniência de mudar os nomes das pistas de seus aeroportos, mas serão beneficiados em pelo menos uma coisa: terão mais oportunidades para observar um dos fenômenos naturais mais espetaculares, as auroras boreais.

Ninguém pode prever com exatidão o impacto de uma reversão magnética, na qual os polos norte e sul magnéticos trocam de lugar. A última ocorreu há 780 mil anos, após uma período de estabilidade de 5 milhões de anos. Geólogos, porém, acreditam que uma reversão total ainda demorará para acontecer.

Fonte: O GLOBO

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